Relato das Oficinas de Jornalismo Comunitário

Veja aqui algumas fotos das oficinas

A Oficina de Jornalismo Comunitário teve início no dia 14 de março, na Escola Técnica Mesquita. O encontro deste dia foi proposto no intuito de aproximar os membros do Fórum de Segurança da Região Noroeste de Porto Alegre da prática da  comunicação comunitária. Essa parceria entre a ABRAÇO, o Pontão de Cultura Minuano, a Cooperativa de Gás e o Fórum surgiu da necessidade de divulgação e articulação da Conferência Municipal de Segurança, que acontece em final de abril ou início de maio. Neste primeiro encontro, que aconteceu durante todo o sábado, os trabalhos foram iniciados com a discussão sobre rádios comunitárias, onde  o representante da ABRAÇO Luiz Carlos falou sobre o Movimento de Rádio Comunitárias, apresentou materiais e referências aos participantes do encontro, que esclareceram dúvidas sobre o tema. Na parte da tarde aconteceu a oficina de jornalismo comunitário e uma demonstração de edição de áudio para ser veiculada em rádio. Os oficineiros foram Alissa e Henrique, do Pontão Minuano.

Nesta primeira da etapa da oficina de gráfico, foi apresentado a proposta de Produção de Pautas contendo informações relevantes para os participantes, que foram divididos em duplas e levantaram as seguintes propostas:

  • Os índices de gravidez na adolescência aumentaram na periferia –  2004 a 2009; é evidente o aumento de adolescentes entre 12 e 16 anos que buscam o pré natal. (Maria Regina e Laureci Maria)
  • O resgate da  cultura do jovem para diminuir a vulnerabilidade social e integrá-la com a sociedade através de oficinas culturais. ( Daniela Charmes e Camila Peixoto)
  • Para abordar a questão da segurança pública da Região Noroeste da capital gaúcha a Rede Abraço, o Pontão de Cultura Digital Minuano, a Cooperativa de Gás entre outras entidades promoveram nesse final de semana uma oficina de comunicação comunitária. Este foi o primeiro de quatro encontros que pretende preparar agentes comunitários para realizar a cobertura da I Conferência Nacional de Segurança em abril desse ano. (Ana Paula e Luís Alberto )
  • Pessoas de diversas entidades da região noroeste de POA estão se reunindo para tratar de questões ligadas a segurança que vem ao encontro com as reivindicações da comunidade. Um dos temas tratados nesse encontro é a falta de segurança e como isto trava a capacidade criativa e cultural da sociedade. Os encontros são abertos ao público em geral e acontecem no Colégio Mesquita, na Rua… aos sábados as …. (Jorge e Rafael)
  • Fórum de segurança da região noroeste denúncia descaso da FASC – Passado mais de um ano a Fundação não cumpriu a promessa de fornecer material para uma campanha, conjunta, para enfrentar o problema das crianças em situação de rua, na região noroeste. (Dileta e Luiz Carlos)
  • No Jardim de Carvalho mais um arrombamento em residência acontece sem que a polícia tome providência. (André e Paulo)

No dia 18 de março aconteceu o segundo encontro da oficina de Jornalismo Comunitário. O encontro foi no Pontão Minuano e teve a participação de Rafael, Paulo, Laureci, Pires, Vania, além da educadora Alissa e o convidado João Carlos, educador popular que atua no Morro da Cruz, Região Leste de Porto Alegre. Ele é um dos organizadores do Projeto Sócio-cultural e Comunitário “Do Morro da Cruz para a Vida” que edita e faz circular o Jornal “Nós na Fita” e foi  convidado para falar sobre essa experiência  de Comunicação Comunitária.
Ele nos contou como nasceu a idéia do projeto. Uma das principais motivações foi a publicação de uma matéria no jornal Zerro Hora, que retravava de maneira equivocada a o Morro da Cruz, descrevendo lugares violentos e perigosos da localidade, sem ter estado na comunidade pra fazer a reportagem e ver a realidade do lugar. Na época, o jornalista do Zero Hora fez entrevistas por telefone, com pessoas que não moravam no Morro da Cruz e desconheciam o dia-a-dia da comunidade, e complementou a notícia com informações de um banco de dados ultrapassado e irresponsável. Os moradores do Morro da Cruz revoltados com as inverdades, questionaram o jornal, mas também decidiram criar seu próprio veículo como forma de diminuir o preconceito em relação ao lugar que vivem, mostrando as coisas positivas que são geradas naqueles ambientes. Através de encontros na comunidade Morro da Cruz, que tem aproximadamente 20.000 habitantes, se estabeleceu um  processo onde o foco eram debates sobre os problemas da região, mas que também servia para falar sobre sonhos, objetivos e obstáculos a serem suplantados através de ações sociais. Desses debates eram geradas matérias. Assim começou o jornal Nós na Fita, que ganhou esse nome como resultado de uma consulta comunitária através de urnas. Antes desse nome, o jornal foi chamado “O Pagão”.
O jornal passou a ser um elemento gerador de debates e  canal de expressão de pensamentos, fazendo com que as pessoas dialoguem e verbalizem suas opiniões. No momento em que se anda pela comunidade atrás de informação, encontra-se ali a  realidade nova da comunidade e neste momento iniciam-se discussões para passar para as demais regiões da cidade a verdade existente hoje no Morro da Cruz. O projeto viabilizou a construção de sonhos, mostrando para os jovens participantes das atividades que eles poderiam ser os protagonistas de sua vida aplicando-se em se tornar educadores populares. Com oficinas focadas na educação, cultura-arte, saúde e auto-estima o projeto consegue atingir todos os públicos de diferentes realidades e pensamentos. O jornal foi também criado para transmitir para todas localidades os projetos desenvolvidos e realizados na comunidade.
A tiragem  do jornal é 2.000 exemplares. Há um rodízio de participantes em cada edição e o projeto prevê remuneração para os educadores que foram capacitados. Depois de finalizar o prazo de aplicação dos recursos do grupo alemão que financiava o jornal, a ONG. que já estava preparada, não deixou de colocar o jornal na rua pois buscou  apoiadores da própria comunidade para custar a impressão. A falta de informação das pessoas, principalmente as relacionadas às grandes mídias, cria imagens definitivas sobre algumas regiões, imagens que vão se consolidando e criando imaginários, muitas vezes negativos, especialmente relacionados às periferias. Ações como o jornal dão voz à comunidade e aos poucos mudam esse imaginário de violência sempre relacionada à população pobre, mostrando os pontos positivos do Morro. Para socializar as idéias dentro de nossa cidade é necessário criar uma rede de discussão entre as pessoas, pensando em como podemos realizar e ampliar ações reais de cidadania. O projeto do Morro da Cruz, assim como as propostas apresentadas para a conferência de segurança pública, buscam aplicar de forma pedagógica ações para diminuição da violência, inclusive a violência social do sistema excludente e racista.
A ONG não descrimina ações voltadas para a profissionalização, inclusive apóia este tipo de inciativas, no entanto, a entidade buscou direcionar as ações no sentido de   estimular as pessoas a construírem e viabilizarem seus sonhos. Uma das estratégias que o grupo tem é estabelecer vínculo direto com a juventude para buscar energia, evolução, aprendizado, intercâmbio de idéias, sentir outros climas, olhar outras imagens,  processos constantes e fundamentais para melhorar a  auto-estima da comunidade.

Sem recursos financeiros os projetos não possuem base estrutural para a manutenção social, cultural e educacional. Essa é uma questão que não pode ser resolvido somente com trabalho voluntário,  que nem sempre é benéfico para aqueles que o realizam.
Em 25 de março aconteceu o terceiro encontro da Oficina de Jornalismo. Neste dia iniciou-se com uma discussão sobre alternativas para redução da violência. Dileta explicou como se dará o processo da conferência. Já existem algumas diretrizes estabelecidas a partir da leitura da carta base disponível no site da Conferência Nacional,  criadas pela discussão dos tópicos. As diretrizes propostas não são nenhuma novidade, no entanto, falta serem reconhecidas e adotadas pelos órgão de segurança pública.
Também discutiu-se o tema de empreendedorismo social como uma alternativa de redução da violência e inclusão e também uma dinâmica onde há divisão das rendas e oportunidades através do cooperativismo, e não simplismente reprodução da mais-valia. O consumo pelo consumo significa um retrocesso, na medida que há uma lógica de descarte dos produtos, o empreendedorismo social faz esse contraponto do trabalho e do consumo com participação comunitária. A polícia se preocupa com a pirataria, principalmente de programas da Microsoft, parte dos participantes concorda que a polícia deva combater a venda desses produtos  e outros discordam, pois existem outros crimes muito maiores que ocorrem sem a devida atenção das autoridades de segurança. Mesmo com falta de recursos para a polícia fazer o trabalho, é necessária a reflexão de que, quem é defendido novamente pela polícia com a ação contra a pirataria, por exemplo, é o Bill Gates, que já está seguro pelo dinheiro que possuem, e não a população que já é explorada e exposta à falta de acesso à educação e formação.
Depois dessas discussões foi criado o Blog do Fórum da Conferência de Segurança da Região Noroeste, contendo informações gerais sobre a Conferência, a Oficina de Jornalismo Comunitário, o link para a carta base disponível na página da Conferência Nacional e as diretrizes para serem discutidas pelos leitores.

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One response

17 07 2009
Dj Saroba

Se somos feito uns para os outros então com certeza com certeza ninguém mais segura a gente ., que continue assim pra sempre

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